Cemig amplia presença em eólica com compra da Renova

A tendência das grande operadoras de energia elétricas em investir fortemente no mercado de eólica deverá gerar um novo negócio nos próximos dias. A Light, que tem a Cemig como sócia-operadora, está concluindo a compra de aproximadamente 50% do capital da Renova Energia, empresa paulista controlada pela RR Participações que detém contratos (PPA, na sigla em inglês) para construir parques geradores de energia eólica totalizando 423 megawatts (MW), além de projetos em várias etapas de maturação, totalizando 1.783 MW. A Light informou desconhecer o assunto.
O movimento da Light/Cemig vai na mesma linha, por exemplo, do que foi feito pela CPFL em abril, quando a companhia paulista adquiriu, por R$ 1,49 bilhão (incluindo dívidas), 100% do capital da Siif Energies, que possui quatro parques eólicos no Ceará, totalizando 210 MW, e mais 732 MW em projetos. A iniciativa também está em sintonia com a decisão da Cemig de utilizar a Light e a Taesa (transmissora de energia elétrica) para dar sequência a seu plano de expansão.
Segundo o Valor apurou, o negócio deverá ser anunciado nos próximos dias. Além de investir em energia eólica, a Renova possui três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em operação, na Bahia, que geram 41,8 MW e mais um portfólio de projetos em várias fases de encaminhamento que somam um total de 1.467,4 MW.
A empresa, fundada em 2000 pelos jovens executivos Ricardo Delneri e Renato Amaral, controladores da RR Participações (dona de 55,4% das ações da Renova), nasceu com o objetivo de investir em PCHs, passando a se interessar por energia eólica a partir de 2006. No primeiro leilão de eólica, realizado em 2009, a Renova ganhou o direito de instalar 14 parques geradores, conseguindo outros seis no leilão de 2010, ano em que decidiu abrir seu capital e negociar ações na Bovespa. Procurada pela reportagem, a Renova não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor, para a Cemig, a associação com a Renova interessa tanto pelos investimentos em eólica como pelos projetos de PCHs, embora os novos projetos da empresa paulista na área hidrelétricas tenham sido congelados por dois anos para que a empresa concentrasse seus esforços na energia dos ventos, onde os investimentos assumidos nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) somam R$ 1,8 bilhão. Em janeiro deste ano a diretoria do BNDES aprovou financiamento de R$ 588,9 milhões para a Renova investir nos seus projetos de energia eólica.

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