Interior de SP aposta no reúso de água para atrair investimentos

Os investimentos industriais esperados para a região próxima ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP) – sob o atrativo de sua expansão e da construção do trem-bala que vai ligar a cidade ao Rio, passando por São Paulo -, devem ser viabilizados com o fornecimento de água tratada a partir do esgoto. A necessidade de apostar em projetos de reúso da água surgiu da baixa disponibilidade hídrica da região no período seco, que é de apenas um terço do nível considerado crítico pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Foi esse cenário de escassez de água para grandes consumidores que levou a companhia de saneamento do município, a Sanasa, a desenvolver um projeto de reúso de água. “Sabemos que haverá expansão industrial ali e que há dificuldade em buscar água. É um mercado para nós”, diz Rovério Pagotto Junior, gerente de Planejamento da Sanasa.
Projetos de reutilização de água e controle de perdas ganham força na bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), onde está localizada Campinas e que abrange uma área que representa 7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O local é um importante polo de desenvolvimento e a preocupação demonstrada por autoridades e representantes das empresas na região é que os investimentos não sejam afetados pela falta de água. Indústrias já instaladas na região, como a Rhodia, em Paulínia (SP), investem em sistemas de reutilização da água para expandir a produção sem aumentar o volume retirado dos rios.
A preocupação com o assunto levou o Consórcio PCJ, associação privada que reúne empresas e prefeituras da região, a promover, em conjunto com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), um curso para capacitar as indústrias em técnicas de uso racional da água. “É muito importante que a gestão dos recursos hídricos seja bem feita nessa bacia, que sofre com a carência de água”, diz o gerente-técnico do Consórcio PCJ, Alexandre Vilella.
Nos períodos secos (outono e inverno), a oferta de água já está em situação crítica para a necessidade de abastecimento. A disponibilidade hídrica na bacia do PCJ fica em 408 m3 /habitante no ano, enquanto a situação apontada como crítica pela ONU é de 1.500 m3 /habitante/ano. Além do uso da água pelos municípios da região, parte da vazão dos rios (29 m3 /s) é levada para o Sistema Cantareira, operado pela Sabesp, que abastece 50% da região metropolitana de São Paulo.

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