Vale aposta em energia como área de negócios

A mineradora Vale quer mudar a forma como encara o mercado de energia. A empresa pretende deixar de investir apenas para suprir as próprias necessidades de consumo e apostar no setor como uma área de negócios independente – repetindo a experiência da área de logística, que hoje já reponde por 4% da receita bruta da companhia.
Em entrevista à Agência Estado, o diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da mineradora, José Carlos Martins, afirmou que as energias renováveis estarão no centro da nova estratégia da companhia. “Somos uma empresa de recursos naturais. Energia se encaixa perfeitamente na nossa vocação”, afirmou o executivo.
A decisão de tornar essa área um negócio lucrativo tem como pano de fundo a visão de que o crescimento da economia mundial, puxado pela China, vai exigir uma geração de energia cada vez maior. Segundo Martins, ainda existem muitos recursos naturais a serem explorados para atender à crescente demanda. O problema, porém, é preço.
“Quando se fala em procurar petróleo a 7 mil metros de profundidade, não se tem o mesmo custo do que na Líbia, onde é quase na flor da terra”, afirma. Em um cenário de custos elevados, a Vale entende que a demanda por projetos de energia renovável se torna mais viável.
Para o executivo, o sucesso dessa estratégia está no investimento em “altíssima” tecnologia. “Estamos investindo forte nesse processo”, disse Martins, ao explicar que são projetos de clonagens ou de tecnologia de processos para aumentar o rendimento da energia produzida. Atualmente, os gastos com energia representam quase 20% dos custos da companhia.
Entrada tardia. A principal concorrente da Vale, a mineradora anglo-australiana BHP Billiton, está no setor de energia há anos. Mas, para Martins, há diferenças de visão entre as duas companhias. “A BHP está em energia fóssil (petróleo). O nosso grande foco é a energia renovável.”

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