Setor recebe incentivo da demanda mundial aquecida e dos preços elevados; em 2010, o minério de ferro registrou alta de cerca de 100% e novos aumentos são previstos neste ano, ante a atual corrida por insumos minerais
09 de fevereiro de 2011 | 0h 00
Mônica Ciarelli e Karla Mendes – O Estado de S.Paulo
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as empresas do setor, já trabalha com a perspectiva de um novo ciclo recorde de investimentos para o setor no Brasil: US$ 64,8 bilhões entre 2011 e 2015. A cifra supera os US$ 62 bilhões esperados para o período de 2010 a 2014.
Para o presidente do Ibram, Paulo Camilo Penna, esse maior interesse por projetos minerais tem como pano de fundo o cenário de demanda aquecida e preços elevados. “O setor aposta que a demanda vai continuar forte”, afirmou.
Um exemplo da atual corrida por insumos minerais, principalmente da China, é a disparada no preço do minério de ferro. Em 2010, o preço do produto superou a casa dos 100% e a expectativa é de novos aumentos de preços ao longo deste ano.
Ontem, a estimativa de investimentos foi apresentada, em Brasília, durante o lançamento do Plano Nacional de Mineração, no Ministério de Minas e Energia. Penna considera o Plano uma ferramenta importante para que o setor cresça de forma sustentável até 2030. Ele ressalta a importância da mineração para a economia brasileira, usando como exemplo os dados da balança comercial de 2010. Só em 2010, o peso da mineração na balança foi de US$ 27 bilhões.
Questionado sobre a possibilidade da adoção de mecanismos de restrição ao capital estrangeiro na mineração no Brasil, sobretudo de chineses, que estão comprando várias minas no País, Penna disse que é contra a imposição de obstáculos ao capital estrangeiro, mas defendeu o princípio da reciprocidade entre os países. “A gente defende a reciprocidade nas relações.”


